Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Grande Reportagem ainda em actualização...

 

Grande Reportagem DN

‘Graffiti’ - Arte ou Vandalismo?

O VANDALISMO ASSUMIDO E EXPLICADO PELOS VÂNDALOS

 

 Sábado|16 de Fevereiro de 2008|nº 50 722

As cidades riscadas, irritam toda a gente. Até quem as risca

“Graffiti não há defesa possível. É mau, é feio, é sujo e destrói.” Quem o diz não é um autarca ou um presidente de junta de freguesia, um qualquer representante da autoridade ou um vulgar cidadão incomodado com os riscos Na sua rua, com o estado deplorável do Bairro Alto ou com a dessacralização de monumentos a golpes de spray. É Keims, 19 anos, dono de uma das tags mais repetidas nas ruas de Lisboa, membro da Reis Crew, um grupo de oito que já custou muitos milhares de euros á CP e ao metro e cujo portfólio fotográfico, acumulado em anos de actividades cuidadosamente planeadas (“são autênticos jogos de estratégia”, diz), soma centenas de imagens.

                Paredes, claro, mas sobretudo comboios. Comboios e mais comboios pintados de alto a baixo, janelas e tudo, fotografados dentro dos túneis do metro ou ao ar livre, do ângulo certo para o máximo de efeito, “horas e horas ao frio, sem dormir, á espera que o comboio que pintámos apareça, que a luz esteja certa, o ângulo correcto… Temos de fotografar antes que mandem limpar. No metro temos de captar as imagens dentro dos túneis, porque eles nunca deixam circular uma composição pintada. “Um trabalho á séria, como se fosse um trabalho a sério. No qual se pode arriscar até a vida – Keims não conhecia o jovem que em 2003 morreu electrocutado na estação de metro do Rato, mas, como todos, sabe da história e decerto umas bulhas com grupos rivais, umas corridas a fugir da policia ou dos seguranças, talvez uns abanões e umas cacetadas, uma multa e algum trabalho a favor da comunidade. Um trabalho que custa dinheiro, a três euros a lata e a umas 15 latas o comboio.

“ Como é que eu hei-de explicar? realmente é muito complicado.” Nos olhos vivos e na boca trocista, Keims exibe a graça do paradoxo. Tenho plena consciência do que é mau. Mas gosto de passar na rua e ver as tags, o meu nome e o dos outros, e gosto de planear as acções. Gosto o ambiente, do grupo…” O orgulho no que faz é óbvio na exibição das imagens, na acumulação de gadjets para testemunhar as façanhas, entre máquinas digitais e CDS com muitos megabytes, nas descrições entusiásticas. “ O ambiente nos túneis de metro é incrível, o ar é pesado, não se vêem bichos. Não há vida lá em baixo a não ser umas baratas enormes, nunca vi baratas tão grandes.” A forma como se conseguem introduzir nessas zonas interditas, com alarmes, circuitos de videovigilância e seguranças musculados assume contornos de epopeia. Como as fintas á policia chamada pelos funcionários das companhias ferroviárias,”com tiros e tudo”, garante Hugo. “São uns selvagens. Nós somos adrenalina fácil para eles, não temos perigo nenhum. Já vi as balas a baterem na chapa do comboio ao meu lado.” A sério? O rosto travesso endurece. “ A sério. A última vez que isso aconteceu foi em Dezembro de 2006. Estava a pintar um comboio em Alverca.”

Em Portugal não houve até agora nenhum caso reportado de morte nem de ferimento de graffiters por acção da polícia, mesmo se Keims não é o único a testemunhar perseguições com balas e tareias nas esquadras. Por outro lado, o pedido de informação á psp sobre o número de ocorrências, detenções e queixas relacionadas com grafitis não é muito bem sucedido. Dois meses após o pedido de informação, enviado por escrito, á direcção nacional da PSP nomeia o subintendente Luís Elias, do” departamento de operações” para falar sobre o assunto. Números, nada. “Temos a nossa estatística o crime de danos mas há alguma dificuldade em autonomizar os grafitis”, assegura Elias. “ No entanto é visível que o fenómeno está a alastrar, não só por uma observação do estado das ruas como também pelo número de intervenções.”

O problema das estatísticas, porém será também devido ao facto de existirem situações em que “jovens são detidos em flagrante delito e depois os lesados, sejam proprietários de prédios sejam as próprias empresas ferroviárias, não avançam com o procedimento criminal. Não querem ‘chatices’…”

Os perpetradores são sobretudo jovens do sexo masculino. “ O típico é o adolescente entre 12 até 20. Mas já encontrámos miúdos de sete e oito anos e indivíduos de 26 anos a danificar monumentos públicos.” Solução? Luis Elias suspira. “ Não há soluções. Não se resolve com um polícia em cada rua de certeza. Há uma questão de princípio que é de ser necessária uma consonância de várias entidades, dos municípios aos proprietários, no sentido de combater este fenómeno. E um dos pontos essenciais é que é preciso limpar, para não dar a ideia de laxismo. É a teoria das janelas partidas…”A teoria das janelas partidas: a degradação atrai degradação, o vandalismo atrai vandalismo. “Não se pode passar a mensagem de impunidade. Se se limpar o que eles fazem eles deixam de fazer. No parque das nações, por exemplo não há grafitis. Os condomínios mandam limpar tudo e há segurança privada.”A videovigilância, a alteração do tipo legal do ilícito - passando-o do âmbito criminal para o contra-ordenacional ou seja, á sujeição automática a multa, ou a aplicação sistemática de trabalho a favor da comunidade (“ Uma medida muito aplicada lá fora é obrigar os miúdos a limpar o que fazem, a detenção só, para eles é um troféu mas ficam envergonhados se os obrigarem a limpar”) são hipóteses de combate aventadas pelo oficial da PSP. Mas algumas, como a da limpeza sistemática, são contraditadas pela realidade; afinal o metro não deixa circular uma única composição grafitada e não é por esse motivo que os graffiters deixam de a pintar. Há até quem, como Keims, proteste quando as coisas não são limpas: “Não sei o que se passa ultimamente com a CP, parece que não estão para se chatear, limpam mal. Parece que se renderam… Acho mal, gosto de ter os comboios limpos…” Um jogo de gatos e ratos em que não é sempre fácil saber quem faz de rato. E que não teria razão de ser se o “código do genuíno graffiter”, que luís Elias cita como sendo o de “ só pintar fachadas de edifícios abandonados” fosse seguido. O problema, conclui, “são as imitações.

Eis uma perspectiva em que Mean de 22 anos, e o oficial da PSP se encontram. “ Eu opto sempre por um prédio gasto. Não tenho a ganância de ir para o prédio novo porque a tinta agarra melhor, porque fica mais bonito… mas a maioria prefere a superfície lisinha, faz mais efeito.”Recém-licenciado num curso de análises clínicas, Mean desmente a alcunha no rosto doce e na suavidade do trato. Mas o cadastro, com uma condenação em 2000, por dano (na estação de paço de arcos) e outra por invasão de propriedade, acusa as actividades”extracurriculares" que mesmo a mãe desaprova.” Ela diz ‘Até está bonito’, mas critica. Ainda noutro dia me disse que no comboio não conseguia olhar para fora porque as janelas estavam pintadas. Reconheço que é chato - as pessoas nem podem ler o jornal por falta de luz… e não vou dizer que nunca fiz danos na propriedade dos outros, porque não seria verdade.”

Foi há uma década, mais coisa menos coisa, que Mean e o amigo Nain, de 23 anos, entraram naquilo a que chamam “uma cultura”. “Começou na zona de Oeiras, pintava-se a marginal… depois veio a cultura de pintar comboios. E o boom, entre 2001 e 2003. “A deslocação dos graffiti para o centro de Lisboa ocorreu já depois disso. “É a capital, é onde toda a gente passa…È um bocado uma declaração de posse:”estive aqui”. As fachadas do bairro alto, integralmente “garatujadas”, são o mais impressionante exemplo desses testemunhos de passagem cuja repetição dita, explica Mean, “uma hierarquia de respeito: quem tiver a mensagem mais espalhada ganha.”

Uma competição que começou, no ultimo ano, a alastrar as zonas até então praticamente virgens do centro da cidade, como a baixa, a avenida da liberdade, a sé e Alfama à medida que a febre dos graffiti foi ganhando mais  adeptos.” Realmente nos últimos meses intensificou-se e ‘ tá tudo pintado’, observa Keims.

“Até já pintaram o meu prédio. Se apanhasse o puto que fez aquilo dava-lhe um puxão de orelhas. Ao olhar perplexo da interlocutora, exclama: “È o meu prédio!”

Eis a suprema ironia, uma espécie de caricatura da atitude dúbia da generalidade das pessoas em relação aos graffiti: afinal, quem não acha graça a algumas paredes ou muros ou mesmo á imagem impressionante de um comboio inteiro pintado de alto a baixo? “Em geral, o cidadão médio só se preocupa se lhe tocar a ele”, observa o subintendente Elias. “As pessoas em termos de cidadania tendem a virar as costas.” Há até muito “bom cidadão” a incentivar nos filhos esta “expressão”.

Mean testemunha: “Na novela da tvi Morangos com açúcar a dada altura houve uns episódios em que uns tipos faziam graffiti. Foi incrível o efeito: estávamos na loja das latas e apareciam mães com miúdos de nove anos a comprar sprays  e marcadores. “Um dos donos da Can´s shop Hungo baptista confirma. “Perguntavam onde é que se podia pintar. E eu respondia: em lado nenhum. É ilegal. Mas elas compravam na mesma…”

(…)

Ate no discurso a indefinição é regra. Quando em 2001 o CDS/PP falou em aumentar as penas para os graffiters, surgiram muitas vozes à esquerda a contestar o ataque  a “ uma forma de arte urbana”.

(…)

publicado por BAAM às 18:12
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Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Uma campanha a favor da vida da juventude

Este ano a Igreja católica através da Campanha da Fraternidade nos convoca para a defesa da vida e a retomar nossa vocação a felicidade. Seremos felizes na medida em que nossos direitos de pessoa forem respeitados e tivermos espaço para viver intensamente os nossos dons e nos revelar em nossa originalidade.

A juventude é plural e diversa. Respeitar e oportunizar que essa juventude possa situar-se no mundo e projetar-se nele como pessoa feliz é tarefa de todas as instituições desde a família, grupos de jovens, escola, trabalho, Igrejas, sindicatos, associações. Saber acolher, escutar e valorizar a novidade que são os/as jovens em suas idéias e descobertas, também no desejo de construir um mundo mais justo.

Em uma sociedade marcada pela má distribuição de rendas e de bens a vida vai perdendo o sentido. As pessoas passam a ser julgadas pelo que possui e também são condenadas até as prisões por causa da cegueira em torno do patrimônio. Fica um grupo reduzido de pessoas que detêm toda riqueza do mundo contra a maioria das pessoas que vivem em estado ausências, perdendo sua condição da dignidade humana. A falta de um espaço de acolhimento, de alimento, de carinho, de criação, de conhecer, de poder locomover-se, de viver como gente na cidade afeta direto a vida da pessoa e sua construção de uma vida mais feliz.

Essa sociedade injusta centra toda sua produção, sua informação, comunicação nos bens e a pessoa humana fica a margem. Esse movimento é gerador de muita violência. Ao mesmo tempo em que os meios de comunicação com todos os recursos da informação mobilizam nossos desejos para consumir, do outro lado, o sistema econômico centraliza nas mãos de uns poucos. Transformam o modo de inserir no emprego, gerando frustrações, porque muitos postos são assumidos por máquinas e, os jovens de modo geral, que ainda não tem experiência então fora deste movimento do mercado.

A organização desta sociedade centrada no mercado precisa de proteção deste capital. Organizam-se vários meios de controlar aquelas pessoas que desejam participar deste mercado, porém, não tem como entrar porque ele está organizado para poucos/as. Criam-se cadeias, polícias, grupos de extermínios, e vários métodos para reprimir e, manter essa sociedade funcionando conforme o sistema está pré-disposto. Neste sentido a responsabilidade e as conseqüências muitas vezes é dada aqueles/as que o sistema não considera como importante.

Nesta sociedade, também, se oferece meios de dopar esses desejos para poder controlar as frustrações: vários tipos de drogas. Elas também servem para manter o sistema. O narcotráfico está bem organizado e sustenta a economia do mundo. Junto com ele estão as indústrias bélicas, que mantém as guerras e o funcionamento do comércio das drogas. Também, há outros recursos que envolvem as pessoas como as novelas, criando um mundo de personagens, com problemas e com idéias, que nos ajudam a manter a mente em outro lugar que não seja em nossas vidas. Que são boas para a gente se divertir, porém que tem o poder de nos iludir quando não estamos atentos aos interesses que estão a serviço.

Todo esse sistema da qual em funcionamento na sociedade hoje é gerador de violência. Impede a maioria dos jovens de organizar seus projetos de vida, realizar seus sonhos e muitas vezes empurram os jovens para a marginalidade. Por esta razão, a Casa da Juventude, propôs uma Campanha com um grito “A juventude quer viver”! Iniciou-se em 2004. E depois foi sendo assumida por diversos grupos, congregações, entidade, prefeituras, Pastorais da Juventude e outras pastorais da Igreja.

É uma campanha que convida os jovens a defesa de seus direitos: lazer, saúde, educação, trabalho, moradia, entre outros. A campanha também, entra direto contra a redução da maioridade penal. Posiciona contra porque crê que uma pessoa em formação merece ser tratada de modo diferenciado. Ela faz um voto de confiança na vida da juventude e motiva os jovens a discutirem sobre temas que influenciam direto em suas vidas. Provoca-os a ler os acontecimentos, a pensar por eles mesmos/as.

Apesar da divulgação sensacionalista que a mídia faz de crimes que envolvem jovens, principalmente quando as vítimas são filhos de famílias abastadas, os adolescentes responsáveis por crimes violentos são minoria: dos crimes praticados no país apenas 10% são cometidos por adolescentes, e só 1,09 % dos crimes que envolvem homicídio são praticados por pessoas com até 18 anos. Isso, a despeito de serem os jovens as principais vítimas da violência.

Os números se elevam apenas nos casos de tráfico de drogas (12,08%) e porte ilegal de armas (14,8%). Dessa forma, caso fosse adotada, a redução da maioridade penal traria um impacto extremamente reduzido no que se refere à redução da criminalidade.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que 15 % dos jovens que trabalham no tráfico têm entre 13 e 14 anos. O que faz supor que não haveria dificuldade em aliciar crianças cada vez menores, a cada redução proposta na maioridade penal. Reduza para 16 anos e os traficantes recrutarão os de 14, reduza para 14 e na manhã seguinte os de 13 serão aliciados como soldados do tráfico. Assim, rebaixar a idade penal equivale a jogar no mundo do crime crianças cada vez mais jovens.

A campanha “A Juventude quer viver” não pára somente neste aspecto. Ela quer que todos/as os jovens possam ter direito a vida, a participação em grupos, a organizar-se para que a vida em abundância aconteça e que as estruturas de morte sejam responsabilizadas pela violência e não os jovens e pobres que não têm a mínima condição para viver.

A profecia é denunciar as situações de morte e anunciar as possibilidades de vida. Organizem no seu município, com a mesma coragem dos profetas, campanhas a favor da vida, mesmo que pareçam loucos/as.

Carmem Lucia Teixeira, Janeiro/2008.
Equipe de coordenação da Casa da Juventude

publicado por BAAM às 19:21
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Prefeitura lança campanha pró-melhorias em praças públicas

Por Ana Paula Carvalho

 

Fotos - Fabio Mattos

Gilberto Nataline, José Serra, Walter Feldman e José Aristodemo Pinotti

Nesta terça-feira (4/10), no Edifício Matarazzo, atual sede da Prefeitura de São Paulo, no Centro, o prefeito José Serra e os secretários Walter Feldman, da Secretária de Coordenação das Subprefeituras; José Aristodemo Pinotti, da Secretária Municipal da Educação; e Gilberto Nataline, da Secretaria Especial de Participação e Parceria, lançaram a campanha PraçAção, para estimular a adoção de todas as praças públicas da capital até o final de 2008. Na solenidade também estavam presentes o deputado federal Gilberto Nascimento, o vereador José Police Neto (Netinho) e os subprefeitos regionais de São Paulo.

 

Ao todo, a capital paulista tem 4.400 praças, das quais somente cerca de 70 foram adotadas pela iniciativa privada. Grande parte das restantes estão mal conservadas, degradadas, abandonadas ou ocupadas por moradores de rua e delinqüentes. Muitas estão atulhadas por pilhas de lixo e  anúncios publicitários.  

 

Segundo Serra, o problema número um de São Paulo é a invasão do espaço público pelo privado. “Para melhorar as condições ambientais da cidade é necessário um conjunto de ações e trabalho coletivo. Começamos com o processo de retirada dos anúncios publicitários que invadem de maneira avassaladora os espaços públicos da cidade, por ser a forma mais barata de se fazer propaganda. Esse tipo de publicidade é a que mais incomoda e polui a cidade”, disse o prefeito. “Agora estamos engajados neste projeto de adoção e transformação das praças para usufruto de toda a comunidade e o próximo passo será pintar todos os muros da cidade, sejam públicos ou privados, que foram pichados por vândalos”, acrescentou Serra.

 

Crianças da Emei padre Manoel da Nobrega abriram o evento com a apresentação de coreografia com a música  “Planeta Água”, de Guilherme Arantes

O objetivo do PraçAção é o de transformar esses espaços públicos em espaços pedagógicos, sociais e de lazer, palcos de diversidade cultural e local para os cidadãos. Esse projeto permite que, além de empresas, universidades, escolas e comunidades adotem essas praças, desde  que atendam as prerrogativas do  Decreto 45.850, de 26 de abril de 2005 – sobre a Celebração de Cooperação com a iniciativa privada  visando à execução de melhorias urbanas, ambientais e paisagísticas, bem como a conservação das área públicas.

 

 

 

Participação popular

 

“Neste projeto, a participação de cada um é muito importante. Vamos transformar a cidade para todos, fazendo das praças um lugar de confraternização, educação, convivência e harmonia entre as pessoas”, disse Pinotti.

 

O PraçAção envolve todas as Suprefeituras de São Paulo e as secretarias de Coordenação das Subprefeituras, Municipal da Educação,  Especial de Participação e Parceria e do Verde e Meio Ambiente.

 

Segundo a Prefeitura, há mais de 100 processos em andamento para a assinatura de Termos de Cooperação. Entre os interessados estão entidades como Rotary, Lions e União dos Escoteiros do Brasil, além de comunidades como a judaica e árabe.

 

Outros 72 termos serão selados com escolas públicas, segundo a Prefeitura. As escolas da rede Municipal devem adotar 46 praças com o objetivo de aproveitar o espaço com atividades continuas com os alunos. Já as escolas da rede Estadual deverão adotar 26, além de implantar o PraçAção no programa Escola da Família, do Governo do Estado, e introduzi-lo, posteriormente, nas demais escolas estaduais.

 

“A questão da adoção não é apenas econômica”, diz Serra. “As praças precisam de pessoas que zelem por elas, usando o seu espaço de maneira adequada. Melhorando sua estética e distanciando a marginalidade”, acrescentou o prefeito.

 

“Com esse projeto, as praças passarão a ser uma extensão das salas de aula, um ponto de encontro entre as pessoas de bem e não uma rota de fuga de bandidas ou ponto de usuários de drogas”, falou Feldman.

 

“O PraçAção vai resgatar a origem deste espaço que possibilita a relação humana, o bom convívio e o bem-estar dos moradores do seu entorno”, disse Netinho.

 

Centro em Ação

 

José Police Neto (Netinho), Walter Feldman e Gilberto Nascimento

A região central de São Paulo possui uma enorme quantidade de praças e boa parte dessas estão sendo adotadas, o que muito contribui para o processo de requalificação do Centro, bandeira levantada pela Associação Viva o Centro há 14 anos.

 

Só em julho deste ano de 2005, na Biblioteca Mário de Andrade, foram assinados 16 Termos de Cooperação entre a Subprefeitura da Sé e a iniciativa privada para a conservação de praças e canteiros centrais de avenidas e ruas da área central da cidade.

 

Foram  adotadas as praças Júlio Prestes e Dom José Gaspar, pela Maringá Turismo; a Praça Princesa Isabel e os canteiros da Avenida Rio Branco, pela Porto Seguro; a Praça Álvaro Cardoso de Moura, pela Arlindo Flores dos Santos; os canteiros da Avenida Paulista, pela Ameni Arquitetura; os canteiros do Edifício Caetano de Campos, pela Fundação para Desenvolvimento da Educação (FDE); a Praça do Carmo, pela Prodesp; a Praça Renato Martins Filho, pela Pearson Cotton Services; a Praça Alberto Lion, pela Atlas Schindler Elevadores; a Praça Torquato Tasso Neto, pela Rota Hotelaria; a Praça Antônio Cândido de Camargo, pela Aster Acelub; a Praça Arquiteto Barry Parker, pela Cia. City; a Praça Oswaldo Cruz, pelo Shopping Paulista; a Praça Ragueb Chofhi, pela Univinco; e os canteiros da Avenida São Luís, pelo Sindeprestem.

 

Vale lembrar que outras empresas há alguns anos adotaram logradouros do Centro que hoje são tidos como cartões da cidade, entre os quais estão: o Vale do Anhangabaú, pelo BankBoston; a Praça Ramos, pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim, entre outros. As três empresas são associadas à Viva o Centro.

publicado por BAAM às 19:19
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entrevista da semana

Um apito contra a violência

O som do apito funciona como um grito de socorro e, principalmente, como uma sirene de emergência que desperta a

Mulheres da ONG vão à rua apitar como protesto

atenção das mulheres da comunidade Córrego do Euclides, em Recife. Trata-se de uma mensagem clara: uma mulher está sendo agredida e precisa da ajuda das companheiras, que prontamente assopram seus respectivos apitos, desencadeando uma sinfonia de silvos potente o suficiente para intimidar o agressor. A idéia surgiu na ONG Grupo de Mulheres Cidadania Feminina com o objetivo de combater a violência doméstica. Desde 2001, a instituição - que ano passado recebeu o prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo - abriga mulheres que já passaram por humilhações; lá, elas renovam seu auto-estima. A coordenadora da ONG Rejane Pereira conversou com o Voluntários Embratel.

Voluntários Embratel - O apito como instrumento de denúncia contra a violência faz parte do Projeto Apitaço. Como surgiu essa idéia?

Rejane Pereira - Percebemos que as mulheres aqui da comunidade Córregos do Euclides não falavam sobre a violência que sofriam. Fizemos várias visitas familiares para sabermos como elas viviam. Vimos claros indícios de agressões físicas e psicológicas. A mulher agredida apresenta hematomas e fica claramente perturbada.

Num seminário, descobri que, na década de 70, mulheres colombianas saíam às ruas apitando e batendo em panelas para denunciar e protestar contra a agressão feminina. Trouxe a idéia para a comunidade e as pessoas foram se identificando. Aos poucos, um número cada vez maior de mulheres começou a sair às ruas, também apitando, inibindo possíveis criminosos e mostrando que elas podem, sim, reagir.

Voluntários Embratel - Como se identifica um caso de agressão?

Rejane Pereira - A violência predominante é a doméstica. Às vezes, a própria mulher que está prestes a sofrer a agressão apita. As vizinhas ouvem e começam a apitar também, e assim sucessivamente. Mas às vezes ela não pode reagir, então a iniciativa tem de partir das colegas. Por isso ficamos constantemente atentas a barulhos, gritos e xingamentos.

Voluntários Embratel - E como se resolve o impasse?

Rejane Pereira - A princípio, nós mesmas tentamos resolver o problema. Cercamos o agressor e tentamos tirar a vítima de lá e levá-la para o nosso grupo. A intenção é deixar o agressor constrangido e inibido o suficiente para ir embora.

Mas nem sempre isso acontece, porque o homem pode ser mais violento ou estar alterado, por exemplo. Intimidá-lo fica mais difícil. Nesses casos, chamamos a polícia.

Voluntários Embratel - A violência diminuiu?

Rejane Pereira - Diminuiu. Não tenho estatísticas, mas a diferença é evidente. O mais importante é que as mulheres passaram a se valorizar mais. Ainda não vivemos numa comunidade tranqüila, porque também temos focos de violência psicológica e sofremos preconceito. Alguns homens não gostam da gente porque acham que mulher tem que estar cozinhando em casa, não apitando por aí. "Minha mulher não faz mais comida para mim!", reclamam. (risos) Há muito machismo aqui ainda.

Voluntários Embratel - Como é feita a divulgação do projeto?

Rejane Pereira - Fazemos a divulgação pela rádio comunitária, distribuímos panfletos e espalhamos banners institucionais pela cidade. Também fazemos seminários onde falamos sobre as nossas oficinas.

Voluntários Embratel - Você disse que as mulheres não tinham coragem de denunciar, mas depois foram se identificando com o projeto. O que se faz para encorajá-las?

Rejane Pereira - Desenvolvemos vários tipos de trabalho. A mulher não chega aqui e simplesmente começa a apitar. Ela passa por oficinas que as fazem se reconhecer como mulheres, e não como objetos. Praticamos atividades visando a vivência coletiva. Temos um grupo em que as mulheres se reúnem para conversar sobre seus problemas, sejam lá quais forem. Elas descarregam as dificuldades que passam em casa ou no trabalho, por exemplo, se identificam e se ajudam.

Voluntários Embratel - Quais são as outras oficinas e quais seus objetivos?

Cidadania: os grupos visam a vivência coletiva
Rejane Pereira - Temos o grupo Filosofia do Saber, em que discutimos assuntos relacionados à identidade racial. Há mulheres negras que sofrem preconceito e queremos que elas reflitam sobre seu papel, como mulher, na sociedade e na política. Recuperamos a história negra, ensinamos a cozinha afro-brasileira.

Reservamos um espaço para a criança praticar esportes e aprender a tocar instrumentos musicais. Com as adolescentes, esclarecemos dúvidas associadas à descoberta sexual e às relações sexuais.

Temos um núcleo para lésbicas, um espaço onde elas têm a oportunidade se conhecerem e marcarem encontros, e fazemos reflexão a respeito de seus direitos na sociedade.

Temos ainda oficinas de teatro, dança, capoeira e hip-hop. Queremos fortalecer uma rede social para contribuir para a auto-estima e aprendizado cultural e intelectual.

As próprias participantes podem dar aula, e tudo acontece aqui dentro da sede da ONG. Funciona como uma espécie de rodízio, no qual primeiro você aprende, depois você ensina.

Voluntários Embratel - Quantas mulheres participam da ONG? E de onde vêm os recursos que as permitem realizar as atividades?

Rejane Pereira - Temos 22 organizadoras e 79 participantes. Nós bancamos a sede no Córrego de Euclides com nosso próprio dinheiro. Mas também temos a ajuda do Fundo Brasil de Direitos Humanos e, desde fevereiro, começamos a receber o apoio do Governo Federal, que, junto à Secretaria de Política para Mulheres, reconheceu a Cidadania Feminina como ONG de relevância nacional. Isso nos permitiu expandir a ONG a outras comunidades.

Voluntários Embratel - Quem pode participar da ONG?

Rejane Pereira - Qualquer mulher que bater em nossa porta. Trabalhamos com todas as faixas etárias. Temos crianças, adolescentes e mulheres da terceira idade.
publicado por BAAM às 19:15
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