Após um inquérito a quatro grupos de origem indiana (incluindo hindus, ismailis e sunitas), a dois de ciganos (um dos quais pertencente à igreja Filadélfia), a quatro de cabo-verdianos (de várias crenças) e à minoria sikh (com religião própria), os autores concluíram que o uso da religiosidade é importante na medida em que tem influência nos comportamentos e nas relações com o próximo.
"A religião produz efeitos sociais importantes ao permitir, entre outras coisas, uma maior abertura aos portugueses e, consecutivamente, atitudes menos racistas", disse à Lusa José Pereira Bastos, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa e um dos autores do estudo.
Depois de analisadas as respostas dos inquiridos, foram registados quatro grandes factores, um dos quais é o fundamentalismo religioso, que se verifica nas minorias sikh e ciganas, indicou o especialista.
Em ambas as comunidades esse fundamentalismo traduz-se numa repressão sexual das mulheres, que são controladas pelos homens, devem estudar pouco e casar o mais cedo possível, sempre com alguém da mesma minoria.
As duas minorias diferem no facto de a repressão sexual cigana ser uma lei da comunidade e não de um Deus, enquanto a sikh tem uma religião própria e organizada, com templo na Serra da Luz.
Contudo, no caso dos ciganos, o estudo conclui que os seguidores da igreja da Filadélfia não têm o mesmo tipo de comportamento porque a igreja "faz uma forte pressão para que os homens não bebam, não tentem enganar ninguém nos negócios e não cometam actos de violência".
"É uma luta para alterar a lei cigana que produz efeitos sociais importantes", considera o especialista.
O racismo foi outro grande factor e verifica-se sobretudo na comunidade cabo-verdiana.
"Este factor é o que explica muito dos seus comportamentos", explicou José Pereira Bastos, acrescentando que "os portugueses acusam- nos de serem problemáticos, mas os cabo-verdianos justificam o seu comportamento com o facto de os brancos não gostarem deles".
Há ainda a destacar a "falta de controlo inter-geracional nesta comunidade, os pais não controlam os filhos, surgindo muitos casos de gravidez na adolescência, insucesso escolar, abandono escolar e marginalidade", acrescentou.
Também neste caso, a igreja Nazarena "produz efeitos positivos porque defende a importância da escola no futuro dos jovens e alerta para a gravidez precoce, verificando-se que os seus seguidores acusam muito menos os portugueses de racismo".
O professor José Pereira Bastos lamenta que Portugal não dê qualquer tipo de apoio a esse tipo de igrejas (como a Filadélfia e a Nazarena) "que podem fazer sozinhas aquilo que o Estado português não pode fazer por esses grupos".
O comunitarismo religioso, semelhante ao fundamentalismo mas mais atenuado, e a abertura inter-étnica, onde se verifica que as mulheres são superiores aos homens na utilização de mecanismos religiosos são os outros dois grandes factores.
O estudo "Filhos Diferentes de Deuses Diferentes: manejos das religiões em estratégias de inserção social diferenciada" foi apresentado terça-feira durante um Seminário do Observatório da Imigração, promovido pelo Alto Comissariado da Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Agência LUSA
2005-03-23 16:10:00
tirada do site:http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=163060&visual=26
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