Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Uma campanha a favor da vida da juventude

Este ano a Igreja católica através da Campanha da Fraternidade nos convoca para a defesa da vida e a retomar nossa vocação a felicidade. Seremos felizes na medida em que nossos direitos de pessoa forem respeitados e tivermos espaço para viver intensamente os nossos dons e nos revelar em nossa originalidade.

A juventude é plural e diversa. Respeitar e oportunizar que essa juventude possa situar-se no mundo e projetar-se nele como pessoa feliz é tarefa de todas as instituições desde a família, grupos de jovens, escola, trabalho, Igrejas, sindicatos, associações. Saber acolher, escutar e valorizar a novidade que são os/as jovens em suas idéias e descobertas, também no desejo de construir um mundo mais justo.

Em uma sociedade marcada pela má distribuição de rendas e de bens a vida vai perdendo o sentido. As pessoas passam a ser julgadas pelo que possui e também são condenadas até as prisões por causa da cegueira em torno do patrimônio. Fica um grupo reduzido de pessoas que detêm toda riqueza do mundo contra a maioria das pessoas que vivem em estado ausências, perdendo sua condição da dignidade humana. A falta de um espaço de acolhimento, de alimento, de carinho, de criação, de conhecer, de poder locomover-se, de viver como gente na cidade afeta direto a vida da pessoa e sua construção de uma vida mais feliz.

Essa sociedade injusta centra toda sua produção, sua informação, comunicação nos bens e a pessoa humana fica a margem. Esse movimento é gerador de muita violência. Ao mesmo tempo em que os meios de comunicação com todos os recursos da informação mobilizam nossos desejos para consumir, do outro lado, o sistema econômico centraliza nas mãos de uns poucos. Transformam o modo de inserir no emprego, gerando frustrações, porque muitos postos são assumidos por máquinas e, os jovens de modo geral, que ainda não tem experiência então fora deste movimento do mercado.

A organização desta sociedade centrada no mercado precisa de proteção deste capital. Organizam-se vários meios de controlar aquelas pessoas que desejam participar deste mercado, porém, não tem como entrar porque ele está organizado para poucos/as. Criam-se cadeias, polícias, grupos de extermínios, e vários métodos para reprimir e, manter essa sociedade funcionando conforme o sistema está pré-disposto. Neste sentido a responsabilidade e as conseqüências muitas vezes é dada aqueles/as que o sistema não considera como importante.

Nesta sociedade, também, se oferece meios de dopar esses desejos para poder controlar as frustrações: vários tipos de drogas. Elas também servem para manter o sistema. O narcotráfico está bem organizado e sustenta a economia do mundo. Junto com ele estão as indústrias bélicas, que mantém as guerras e o funcionamento do comércio das drogas. Também, há outros recursos que envolvem as pessoas como as novelas, criando um mundo de personagens, com problemas e com idéias, que nos ajudam a manter a mente em outro lugar que não seja em nossas vidas. Que são boas para a gente se divertir, porém que tem o poder de nos iludir quando não estamos atentos aos interesses que estão a serviço.

Todo esse sistema da qual em funcionamento na sociedade hoje é gerador de violência. Impede a maioria dos jovens de organizar seus projetos de vida, realizar seus sonhos e muitas vezes empurram os jovens para a marginalidade. Por esta razão, a Casa da Juventude, propôs uma Campanha com um grito “A juventude quer viver”! Iniciou-se em 2004. E depois foi sendo assumida por diversos grupos, congregações, entidade, prefeituras, Pastorais da Juventude e outras pastorais da Igreja.

É uma campanha que convida os jovens a defesa de seus direitos: lazer, saúde, educação, trabalho, moradia, entre outros. A campanha também, entra direto contra a redução da maioridade penal. Posiciona contra porque crê que uma pessoa em formação merece ser tratada de modo diferenciado. Ela faz um voto de confiança na vida da juventude e motiva os jovens a discutirem sobre temas que influenciam direto em suas vidas. Provoca-os a ler os acontecimentos, a pensar por eles mesmos/as.

Apesar da divulgação sensacionalista que a mídia faz de crimes que envolvem jovens, principalmente quando as vítimas são filhos de famílias abastadas, os adolescentes responsáveis por crimes violentos são minoria: dos crimes praticados no país apenas 10% são cometidos por adolescentes, e só 1,09 % dos crimes que envolvem homicídio são praticados por pessoas com até 18 anos. Isso, a despeito de serem os jovens as principais vítimas da violência.

Os números se elevam apenas nos casos de tráfico de drogas (12,08%) e porte ilegal de armas (14,8%). Dessa forma, caso fosse adotada, a redução da maioridade penal traria um impacto extremamente reduzido no que se refere à redução da criminalidade.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) concluiu que 15 % dos jovens que trabalham no tráfico têm entre 13 e 14 anos. O que faz supor que não haveria dificuldade em aliciar crianças cada vez menores, a cada redução proposta na maioridade penal. Reduza para 16 anos e os traficantes recrutarão os de 14, reduza para 14 e na manhã seguinte os de 13 serão aliciados como soldados do tráfico. Assim, rebaixar a idade penal equivale a jogar no mundo do crime crianças cada vez mais jovens.

A campanha “A Juventude quer viver” não pára somente neste aspecto. Ela quer que todos/as os jovens possam ter direito a vida, a participação em grupos, a organizar-se para que a vida em abundância aconteça e que as estruturas de morte sejam responsabilizadas pela violência e não os jovens e pobres que não têm a mínima condição para viver.

A profecia é denunciar as situações de morte e anunciar as possibilidades de vida. Organizem no seu município, com a mesma coragem dos profetas, campanhas a favor da vida, mesmo que pareçam loucos/as.

Carmem Lucia Teixeira, Janeiro/2008.
Equipe de coordenação da Casa da Juventude

publicado por BAAM às 19:21
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