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Os gangs organizados de jovens têm gerado debate nos últimos dias. Há uns tempos, veio a Lisboa Rudolph Giuliani, presidente da Câmara de Nova Iorque entre 1994 e 2001. Durante o seu mandato, o crime foi reduzido drasticamente na ‘Big Apple’.
A recomendação dele, para Portugal, era simples. Comecemos por eliminar os graffiti. Através das pinturas com sprays em muros, os jovens vão criando grupos organizados, delimitando territórios e caminhando para a marginalidade.
A matéria é delicada. Os adeptos dizem que o graffiti é uma forma de arte e não um crime. Defendem também que é um modo de os jovens se afirmarem. Se não o fizessem desse modo, recorreriam a meios piores.
No entanto, mesmo os países mais liberais tendem a condenar esta prática.
A capacidade de correr à frente dos polícias é uma qualidade tão essencial quanto a habilidade para usar as latas de spray de tinta. Por isso, na Dinamarca, chegaram a ser usados cães para capturar os infractores. Uma tentativa de solução foi a de utilizar muros livres.
A ideia nasceu no Canadá. As autoridades disponibilizavam uma parede para que pudesse ser livremente pintada.
O resultado não podia ser pior. Rapidamente, os muros livres ficavam preenchidos. Os novos interessados recorriam às áreas próximas. Bairros inteiros ficaram repletos de graffiti.
Na cidade de Esquimalt, também no Canadá, foi criada, então uma alternativa. As pinturas apenas são autorizadas em painéis de teflon especialmente fornecidos para o efeito. Esta iniciativa, sim, foi bem sucedida. Neste caso, a evolução foi um pouco semelhante à da propaganda política em Portugal.
Havia pichagens, que eram letras horrorosamente desenhadas, com sprays de tinta. Danificavam edifícios e, por vezes, monumentos nacionais. Esse tipo de pintura foi rapidamente afastado. Confinou-se a um ou outro grupo radical.
Durante muito tempo, mantiveram-se os cartazes de papel colados nas paredes. Era uma prática já antiga. Quem não queria sujeitar-se à sua colagem, tinha de pagar uma licença camarária. Mas, muitas vezes, a interdição era violada.
Recordo-me de meu pai mandar retirar uma velha tabuleta, com os dizeres: “É prohibido afixar cartazes n´esta propriedade”. Não servia de nada. Os cartazes de papel colados nas paredes permaneciam lá durante anos. Sucessivas camadas eram sobrepostas.
Entretanto, a propaganda política passou a realizar-se através de telas plásticas colocadas em postes e que são posteriormente removidas ou mediante cartazes gigantes em suportes apropriados (outdoors).
Voltando aos graffitti, eles estão muito ligados à cultura hip-hop e aos disc jockeys Afrika Bambaataa e Kool Herc. Mas, curiosamente, foram popularizados, em 1970, por um jovem grego, Demetrius, residente em Washington, cuja alcunha era Taki 183.
Pessoalmente, julgo que os graffitti não devem ser estimulados.
Uma vez detectado um novo grafito, ele deve ser fotografado, por forma a possibilitar a identificação dos seus autores, pelas cores, palavras e simbologia. De imediato, deve proceder-se à pintura da parede.
Na nossa opinião, o grafiti, pode ser visto como uma arte ligada ao hip-hop, mas também como uma forma de vandalismo, de modo a impôr a sua opinião.
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